Decifra-me ou te devoro.

 

 

 

 

ingres-edipo.esfinge

 

O desafio da esfinge, no Mito grego, muito tem a ver com nossas relações pessoais.

A esfinge fazia uma pergunta, um questionamento. Se você conseguisse responder, joia. Sairia ileso. Sucesso total.

Caso não conseguisse responder corretamente à pergunta, seria morto, devorado, castigado. Sim. E daí? O que isso tem a ver comigo?

Se você tem um amigo que, do nada, fecha a cara para você, fica mal, não fala mais com você e você não tem sequer noção do que ocorreu para que ele ficasse tão mal assim, você está lidando com essa questão.

Se você tem uma namorada que, do nada, se zanga e você não consegue entender o motivo do mal-estar; se sua mulher está muito chateada com algo que você tenha feito e que você não tem noção do que é, é isso! Você está vivenciando essa dificuldade.

No fundo, parece uma incapacidade de verbalizar o que se sente.

Estou muito zangada! Espero de você outro comportamento ou uma fala especial”, mas não lhe dou a chance de saber, sequer, o que espero exatamente de você e/ou o que desejo ouvir.

Para quem está do lado de cá, essa situação é difícil, complicada e até constrangedora. A pergunta é: como vou satisfazer o desejo do outro ou tentar aplacar a dor do outro se sequer tenho noção de qual seria essa dor? Como uma pessoa poderia tentar satisfazer outra que não consegue expressar claramente o que quer e que não deixa claro o motivo de sua frustração em relação ao outro?

E o relacionamento dos dois (marido-mulher, filho-mãe, patrão-empregado, etc) vai ficando fragilizado, empobrecido, pois não se sabe, ao certo, para onde se deve seguir, pois as prerrogativas não ficaram antecipadamente claras.

Por isso que vale a pena falar. Falar e ser ouvido. Conversar sobre os pontos tensos, sobre as insatisfações.

Conheço uma mulher que fala: “se a pessoa não conseguiu ler minha vontade nas entrelinhas, no olhar, ela não vai conseguir entender nunca”.

E eu fico morrendo de pena dos dois: de quem acha que tem o direito de ser compreendido e de quem fica sendo julgado por não ter a capacidade mágica da adivinhação. Uma relação assim estará fadada ao insucesso. Infelizmente.

Tratar cada nó, cada mal entendido com diálogo, com uma conversa franca e clara, onde as pessoas envolvidas ficassem a par do que se quer.

A partir daí, os desejos estarão claros e as relações fluirão com maior leveza.

Se eu lhe falo o que quero, você vai entender o que desejo. Para me atender ou não. Mas saberá exatamente o que me angustia na nossa relação.

Se for assim, se os pontos estiverem postos e os pontinhos nos ‘is’, não haverá necessidade de se viver brigando ou de se desenvolver frustrações em relação ao outro.

Na relação, as pessoas não estão obrigadas a satisfazerem um ao outro em tudo. Mas elas terão o direito de acertar ou errar. Sem o risco de serem devoradas.

Último Desejo

 NOEL ROSA

 

Hoje eu quero brincar de analisar a letra da música do nosso querido compositor brasileiro Noel Rosa:

“Nosso amor que eu não esqueço / E que teve o seu começo / Numa festa de São João. / Morre hoje sem foguete / Sem retrato e sem bilhete / Sem luar, sem violão / Perto de você me calo / Tudo penso e nada falo / Tenho medo de chorar / Nunca mais quero o seu beijo / Mas meu último desejo / Você não pode negar / Se alguma pessoa amiga / Pedir que você lhe diga / Se você me quer ou não / Diga que você me adora / Que você lamenta e chora / A nossa separação / Às pessoas que eu detesto / Diga sempre que eu não presto / Que meu lar é o botequim / Que eu arruinei sua vida / Que eu não mereço a comida / Que você pagou pra mim.”

Noel dá início ao seu pensamento falando da festa do início dos relacionamentos. De quando tudo é bonito, tudo é alegria. Depois ele menciona que ao contrário disso, o fim do romance dolorido, sofrido, sem música, triste mesmo.

Ele traz à tona sentimentos negativos tão próximos de nós quando nosso amor vai embora, quando o tempo bom se vai. Desfazer as malas e dar adeus nunca foi tarefa muito fácil para a maioria das pessoas.

O vínculo amoroso que antes era bom, agora tem gosto amargo, nos chicoteia, nos machuca, nos fere. Requer de nós uma pausa, um tempo.

Depois o Noel amplia a perda que até agora só interessava ao casal e fala dos outros. Sim, dos amigos, dos parentes, dos conhecidos. De alguma forma era como se todos os outros também tivessem feito parte daquela história e que tivessem, os dois, que dar satisfação à sociedade.

Essa poesia me chama a atenção pois em tempos de redes sociais parece que estamos muitíssimo preocupados com o que os outros vão pensar de nós. Já era assim na época de Noel e, de alguma forma, sempre será, pois o ser humano é um ser social. Ninguém é uma ilha, já dizia John Donne.

Pedir ao outro que fale para os outros que “você me adora, que você lamenta e chora a nossa separação” é solicitar que o ex-parceiro reconheça, ainda que não seja verdade, publicamente, que ‘eu’ sou uma pessoa do bem, que eu fui/sou amado(a); que mereço coisas boas e sou importante. No mesmo texto, o poeta também pede o contrário: “às pessoas que detesto diga que não presto, que meu lar é um botequim.”

Cumprindo o velho ditado: “falem mal, mas falem de mim.”

O ser humano precisa de reconhecimento, talvez esse seja mesmo seu último desejo.

 

MEU PEQUENO MUNDO EM CRISE

Plant in dried cracked mud

Crise para todos os lados e ela, lá em seu pequeno mundo, num momento feminino particularmente sofrível.

 Sim, ela, Psicanalista, se vendo, se percebendo moída, querendo chorar, murchinha, dentro de si.

 Assumir que também sofre lhe remete à sua mais profunda condição de ser humano.

 Sendo mulher, precisando compreender hormônios, oscilações típicas do mundo feminino e refletindo que há um lugar para o sofrimento num mundo que impõe que “você precisa ser feliz a qualquer preço”.

 Os espaços capitalistas quase nos convenceram de que o sorriso precisa estar no rosto todos os dias, de que ela não podia ter seus momentos íntimos de introspecção, de dor, de lamento.

 A ideia de que felicidade é um produto que pode ser comprado numa prateleira de supermercados a aliena de si mesma.

 Tomamos remédio para dormir, café para acordar, estimulante de apetite e inibidor químico. Tudo para ser feliz. Tudo para se sentir bem, realizada. Tudo para estar igual à moça da revista ou da TV.

 A vida calma, o enriquecimento interior – que passa, sim, também, por momentos de tristezas, de gratidão, de reflexão – parece não ter lugar nesse mundo que gira rápido e que lhe pede a melhor foto (e o melhor sorriso) para ostentar nas redes sociais.

 Ela estranha qualquer emoção negativa (dor, tristeza, por exemplo), como se essas também não pudessem de jeito algum fazer parte de sua vida.

 Lá dentro, crise. Lá fora, também.

 E como o grito de um pai desesperado que quer que o filho compreenda, ela ouve um convite à realidade: há crise para todos os lados: crise econômica, social, ambiental, política. Há também suas crises pessoais, seus lamentos. Você está autorizada a sofrer.

 Pronto. Ela chora, lamenta, se angustia, lava e cara e sai pra vida, cheia de segurança pois foi gente.

 Gente de verdade.

Nome Próprio

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É certo que há nomes de pessoas que  nós não gostamos.

 

Há nomes que soam de um jeito diferente, talvez muito grande ou pequeno demais.

 

Há nomes que nos soam mal. Que, definitivamente, não colocaríamos, nunca, em nossos filhos.

 

Outro dia eu ouvi o nome Benedito. Benedito, para muita gente, não é um nome bonito.

 

Mas aquele nome aqueceu meu coração e me fez dar um suave sorriso. Um sorriso de saudade, de alegria talvez.

 

O nome Benedito, embora grande e pesado para muita gente, representa algo especial para mim: é exatamente o nome de meu pai.

 

Quando eu encontro alguém com esse nome, me vem à memória as mais suaves e agradáveis lembranças.

 

Meu pai representou e sempre representará alguém especial, um bom pai. Alguém que me amava e sempre esteve ao meu lado, assim como eu estive sempre ao seu lado, em momentos difíceis e alegres.

 

Seu nome representa, então, sob meu ponto de vista, allgo que significa amor, bondade, acolhimento.

 

João, José, Judite, Jonas, Joel, Dilza, Ita, Ilza, Nildes, Benilde, Maria, Pedro, Manoel, Joel, Landulfo, Lomanto, Joana, Angélica, Angelina. O que esses nomes representam para você? Você se lembra de que enquanto os escuta?

 

Há uma coisa em Psicanálise que chamamos de Livre Associação. Faz parte da técnica psicanalista considerar o que uma coisa, um nome, um som, uma música, significa para a pessoa. Isso é exclusivamente pessoal, subjetivo.

 

Assim: uma coisa puxa outra, faz referência, de alguma forma, a outra.

 

Então, no consultório, o analista vai, dentre outras coisas, considerar e ajudar a pessoa a tomar consciência do que ela associa com o que. O que uma idéia, um nome, uma coisa, lhe faz lembrar.

 

Assim, aos poucos, aquela sua fala, aquela sua idéia que antes você pensava que não tinha nada a ver com nada, vai tomando forma, vai criando consistência, tomando sentido para você, de um jeito consciente.

 

Eu tive uma paciente que ficava chocada pois sua amiga sempre dizia que todos os homens iam embora pois na primeira e mais importante representação da minha analisanda, homens ficavam, criavam seus filhos e, embora tivessem dificuldades, não desistiam dos seus casamentos.

 

A diferença é que, para uma, a analisanda, seu pai havia ficado em casa. Para a outra, seu pai tinha ido embora, deixado a mãe sozinha e plantado para sempre na cabeça da menina uma idéia triste de abandono e um certo sentimento de desilusão.

 

Ou seja: você vê o mundo com os seus próprios olhos, a partir de sua própria experiência. Isso pode ser modificado? Sim. A partir da tomada de consciência, mas as associações sempre serão feitas. Conscientes ou não.

 

Para mim, meu pai ficou.

 

Ficou, criou a prole, deu conta do recado e garantiu nossa sobrevivência mesmo com muitas dificuldades.

 

Benedito soa, para mim e em minhas mais íntimas associações, um nome doce, um nome bonito.

 

Be-ne-di-to!!!

CULTURA DO BEM

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Num dos últimos jogos da Copa do Mundo de 2014 ocorreu um fato que deixou o mundo chocado e especialmente os brasileiros muito tristes: Brasil contra Colômbia, lutando pela vitória, vivendo momentos de tensão e grande expectativa e eis que um jogador colombiano bate o joelho nas costas do jogador Neymar, causando sua exclusão da Copa, a quebra de seus sonhos, a destruição de seu maior desejo que era ser campeão do mundo.

 

Na entrevista que o jogador colombiano deu a alguns jornalistas, ele afirmou que não era sua intenção machucar Neymar, pediu desculpas mas disse que seus colegas tinham sofrido faltas do jogadores brasileiros, deixando claro, nas entrelinhas, que sua intensão certamente era o de descontar, de se vingar do time brasileiro.

 

Ao final do jogo, o jogador David Luiz, da seleção do Brasil, vai consolar um dos jogadores do time colombiano que chorava amargamente o resultado final que dava vitória ao time do lado de cá.

 

De um lado, uma possível vingança, a construção do mal, a dor de Neymar e a tristeza de todos os brasileiros. Aquele jogador havia chorado aos berros, sinalizando claramente que sua dor não era só física. Era dor emocional também. Era a dor da perda, do desligamento de seus sonhos, da grande frustração que estava vivendo por perceber que não voltaria mais aos jogos pelo menos nessa Copa.

 

Por outro lado, David Luiz consolando, abraçando, limpando as lágrimas do adversário.

 

O exemplo do David Luiz foi uma mensagem surpreendente para o mundo: como acolher o suposto inimigo? Como sentar-se à mesa do amor com ele? Como abraçar e beijar o time oposto, o outro?

 

Acredito que o bem se faça assim: na desconstrução do mal.

 

É o que diz a carta aos Gálatas: “Façamos bem a todos” . Indistintamente. Sem  reservas, a tempo e fora de tempo. Sempre.

 

Eu não acredito em palavras, em afirmações positivas. Palavras não tem tantos poderes mágicos assim: você pode fazer o mal a quem você chama de “abençoado”, por exemplo.

 

David Luiz marcou o mundo com o seu poder de perdão, de desconsiderar o mal que seu time havia sofrido, por conseguir amar.

 

David Luiz entra para as páginas da história como herói, não só por ter sido um grande jogador, mas por ter superado as expectativas, por ter sido um homem capaz de, olhando para frente e não para o mal, cuidar, fazer o bem, amar.

 

 

Camisa verde-amarelo

brasil

Em dias de Copa do Mundo, quão grande é nossa emoção para ver os jogos, torcer pelo nosso time e vestir, até mesmo no trabalho, o tão bonito verde-amarelo.

O Hino Nacional, eleito o mais belo de todas as nações, é cantado a plenos pulmões por todos nós, até por nossas crianças.

Ele nos emociona, nos alegra, nos arrepia, nos representa.

Para nós, não basta cantar o pedacinho imposto pela FIFA. Nós o queremos inteiro, todo cantado.

Nosso hino é rico e sofisticado. Poética e musicalmente completo. O povo brasileiro gosta do que é bom.

Dá pena perceber que confundimos patriotismo com amor à seleção brasileira.

Amar o País, amar o Brasil, deveria ir além do jogo. Além da Copa do Mundo. Além de um momento estanque como o que vivemos agora.

Quem ama, serve.

Quem ama, se dedica.

Quem ama, luta para dar de si mesmo o melhor.

Não é assim?

Vou lhe dar um exemplo: você teria vergonha de usar a camisa verde-amarelo depois da Copa, ou se a seleção brasileira de futebol perdesse o jogo?

As bandeiras hasteadas por todos os lados de nossa cidade continuarão quando essa festa da FIFA acabar?

Cantaremos o hino com tanto entusiasmo caso nossos jogadores não nos tragam a desejada taça?

Nosso suposto ‘patriotismo’ permanecerá em nosso coração com tanta alegria depois do jogo, ou de fato o que amamos mesmo é só o futebol?

Estou pensando, junto com você, que parece que amamos mesmo é só o futebol. É a copa. É nossa seleção, são nossos jogadores. Não nosso País.

Sinto pena ao perceber que estamos distraídos, como que enganados, iludidos.

Nossa torcida deveria ser, todos os dias, pelo bem de nossa Pátria. Torcida expressa.

Nosso amor, nossa energia, nossa pulsação, nosso grito, deveriam ser identificados e demonstrados diariamente.

Que eu queira contribuir por uma melhor nação.

Que eu, enquanto viver e como sujeito ativo em trabalho e construção, possa contribuir incansavelmente por um País mais justo, politicamente saudável, ambientalmente sustentável.

“Pensar globalmente e agir localmente”, com a consciência voltada para o bem de todos.

Amar o Brasil tem a ver com ações práticas de bondade e justiça de minha parte para com todos os brasileiros.

Amar os símbolos da Pátria como nossa Bandeira, nosso Hino, deveria ser estimulado, por exemplo, pela mídia, mais vezes e com maior ênfase. Deveria ser um ato contínuo de todos nós.

Nosso belo idioma, nossa cultura popular, nosso jeito alegre e solto, nossa gente do bem, deveriam ser nosso orgulho, motivos de um sorriso grato e sincero.

Eu sou brasileira, o tempo todo.

E, como dizem por aí, eu não desisto!

 

 

 

 

 

 

 

MINIADULTOS

miniadulto

Você é daquele tipo de pessoa que conta todos os seus segredos, medos e inseguranças à seus filhos menores?

Você acha interessante que seu filho menor de idade ouça com atenção e até sofra com você por causa de seus problemas?

Essa é uma questão que tem me chamado a atenção ultimamente.

Quando eu era criança, minha mãe tinha brigas com meu pai que nós nunca tivemos conhecimento.

Mesmo sem um vasto conhecimento acadêmico e sem um diploma de Psicologia na mão, ela nos poupava da vida dura que levavam, das intrigas e lutas que um travava diariamente com o outro.

Nós, crianças, em casa, tínhamos o direito de brincar, de viver nossas fantasias infantis, de estudar em paz.

Nada além da escola e do tema da próxima brincadeira nos tomava a atenção. O coralzinho da igreja também era uma alegria. As artes, as leituras, os brinquedos feitos por nós, eram donos de parte importante de nosso tempo.

Confesso que tive uma infância feliz, embora como todo ser humano fosse vítima de pequenos traumas, aqui ou ali.

De uma coisa nossa mãe nos protegia, quando nos poupava dos seus problemas: ela nos protegia da vida dura, ela permitia que nossa criatividade e alegrias tivessem lugar em nossa primária consciência infantil.

E seus filhos foram formados pessoas íntegras, saudáveis, saciados com o pouco que tínhamos e com força necessária para modificar a realidade ou para buscar melhorá-la de alguma forma.

Voltando à questão do nosso tema: miniadultos são crianças que não possuem o direito de ser, pensar e agir como crianças, em seus respectivos período de maturação.

Em outras palavras, chamo de miniadultos aquelas pobres criaturinhas bombardeadas diariamente pelo sofrimento de seus pais.

Tanto por brigas que eles presenciam, quanto por contas que nunca se fecham, quanto pelas dores próprias dos adultos, nossos filhos estão sendo diariamente afetados pelo difícil mundo dos adultos.

O Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente orienta que eles não trabalhassem, que eles tivessem o direito de brincar e de se desenvolver a seu próprio tempo, tanto intelectualmente, moralmente, fisicamente etc.

Infelizmente quando contamos nossos problemas cruamente para nossos pequenos, nós não podemos controlar nem imaginar o que isso poderá originar na mente dos nossos queridos filhos.

Se é preocupante alimentarmos apenas um mundo de fantasias em nossas crianças, gerando com isso adultos imaturos, também é bastante sério provocar medo da vida em nossos pequeninos quando não os poupamos de nossos monstros, de nossas dores, de nossa difícil vida adulta.

Conheço várias crianças que não querem crescer, pois a conversa dos pais em casa é que a vida lá fora é amedrontadora e que ser adulto é triste, difícil, uma verdadeira luta.

Conheço crianças inseguras e apavoradas porque seus pais lhes contam diariamente coisas tristes, violências, dificuldades financeiras etc.

Em que medida você acredita que sua criança vai querer viver de verdade num mundo assim?

Vejo adultos infantis, imaturos, desestimulados a seguir e eles receberam uma escola em casa: a escola do medo, da palavra desencorajadora, ameaçadora.

Uma pena que justamente esses pais esperem o contrário de seus filhotes: que eles sejam adultos emancipados, donos de si, alegres, confiantes e vitoriosos.

Criança precisa brincar, precisa viver.

A infância deveria ser a fase mais lúdica, mais agradável, mais criativa da vida.

Que possamos pensar sobre como somos, o que falamos e como nos comportamos diante de nossos filhos.

Que tenhamos sabedoria diante da vida, diante dos pequenos.

 

ESFORÇAR-SE

esforço

A palavra vitória achou lugar comum em nossa boca.

Todo mundo fala que vai ser vitorioso, que vai vencer, que vai melhorar de vida, que vai realizar um sonho difícil.

Sabemos que milagres acontecem e que quando a gente pensa positivamente, a gente cria uma força, uma condição especial para que a coisa de fato aconteça.

Fazer uma oração em tempo de crise realmente ajuda.

Mas hoje eu quero falar de um pensamento ingênuo, fantasioso que temos quando acreditamos que basta cruzar os braços, pensar positivamente e a coisa acontecerá como num passe de mágica.

Especialmente as novas gerações, nossas crianças e adolescentes possuem essa ideia.

Acreditam que merecem tudo de bom e que vão conseguir ter um ótimo emprego, uma boa casa, um carro do último tipo, apenas por merecer.

Se eu penso que mereço, eu não me esforço para ter o que desejo.

Se eu acredito que alguém, meu pai, minha mãe, o Estado, os céus podem fazer por mim, relaxo e não vou à luta. O que eu tinha que fazer para me realizar, o esforço, o trabalho para chegar lá, eu não faço. Claro! Alguém fará por mim, pois acredito que mereço…

Esse tipo de pensamento é muito comum nessa nova geração que basta abrir a boca em choro que os pais, também fragilizados e incapazes de dizer não, atendem aos reclames dos pequenos, sempre.

Ora! Se tudo o que você me pede eu lhe dou, você começa a acreditar que merece tudo o que quiser.

E esse pensamento atravessa a nossa família e vou vivendo assim em todos os outros espaços: imagino que, da vida, terei sempre um sim.

Certo, tudo bem. O problema é que na vida prática, há limites, há dificuldades e há lutas a serem travadas.

Adquirir o que se quer pode ser muito fácil dentro de casa ou na família, mas no mercado de trabalho, na vida prática, nas provas, nos concursos, nos clientes, a coisa pega.

Talvez devamos dizer a esta nova geração que é preciso se esforçar, é preciso trabalhar, é preciso ter muita disciplina.

Os ditos grandes heróis das artes e dos esportes, tão aplaudidos e endeusados pela mídia na atualidade, passarem certamente por uma estrada de fortes treinamentos, dedicação e persistência.

Isso nos leva a entender que pra se alcançar sucesso, é necessário que eu o busque.

Com coragem, custo, diligência, empenho, energia, impulso, interesse, luta, vigor e zelo.

Em outras palavras, isso significa persistir, seguir, não desistir.

Ou ainda: estudar, trabalhar, ler, treinar, esforçar-se. Dar o seu melhor em tudo o que você puser as mãos.

Sem esforço você pode até chegar lá. Alguém te ajudou ou você teve uma espécie de sorte, um milagre aconteceu.

Além disso, o que prevalece na vida real é: você se esforça e colhe os frutos disso.

Quem se esforça, quem busca, quem peleja, certamente alcança.

Talvez a palavra de ordem nesses difíceis tempos seja “insista, persista, empenhe-se, vá à luta, busque!”.

Se para tudo tem um preço, o seu deverá ser se esforçar.

Os grandes seguiram seu caminho e alcançaram suas vitórias. Sigamos, pois, o nosso próprio caminho.

Consumo x Meio Ambiente

consumismo

A menina está com muitas roupas novas em seu guarda roupa, mas insiste em correr às lojas para comprar um novo vestido, afinal de contas hoje terá uma festa e ela entende que precisa desfilar com um novo modelito.

Nada contra a vaidade feminina. Nada contra a pessoa desejar sentir-se bela.

O problema é que o meio ambiente não suporta mais a nossa mania de comprar, a nossa compulsão por jogar fora coisas que ainda poderiam ser usadas e comprar novas que daqui a pouco já estarão velhas – segundo esse frágil raciocínio de que não posso repetir peças que já usei.

E é assim em tudo.

Nosso celular, que compramos ontem, já não nos atende mais e queremos o último, da última geração, que tem um movo aplicativo, um outro jeito, uma nova cor.

Na roupa, nos sapatos, na música que ouvimos, no carro, na moto, na bicicleta, nos móveis da casa… Todo dia, toda hora, desejamos ir à rua atender ao chamado da propaganda, da mídia, da TV e do rádio: “você tem que comprar essa novidade!”.

Alguém nos falou que quanto mais bugiganga tivéssemos, mais felizes seríamos. E aprendemos equivocadamente que vale a pena aparentar poder socialmente, ainda que em meu bolso eu não tenha nem um real.

Estamos numa época em que é comum comprarmos carros mais caros, parcelados em várias vezes que pagamos com muita dificuldade ou sacrificando a mesa, só pelo simples fato de que o carro seria minha mais potente prova de que estou bem.

Hoje em dia vale, infelizmente, o que você tem acima do que você é. Ser e ter encontram-se em crise. Além disso, quando não bastasse, queremos ‘parecer ter’. Ainda que não seja verdade, insistimos em demonstrar que somos ricos, bonitos, jovens… que somos felizes e bem sucedidos.

Tudo em nome de um consumismo desenfreado que nos agride como pessoas, fere nosso bolso, compromete nossa economia familiar e ainda prejudica imensamente a natureza, pois o meio ambiente não suporta mais tantos gastos, tanto uso inadequado, tanta exploração dos recursos naturais.

Seguimos um caminho desenfreado rumo ao consumo, rumo à destruição do nosso querido planeta Terra.

Consumir demais afeta o meio ambiente, afeta nossa casa, afeta nossas relações com os outros, afeta as gerações futuras.

Pensemos com responsabilidade sobre como temos nos situado no mundo, sobre qual o nosso papel como pessoas humanas na construção de um mundo melhor em que possamos viver dignamente, usando com sabedoria os recursos que estão à nossa disposição.