Construção de Identidade

Aos pouquinhos, desde a infância, vamos construindo nossa identidade. Vou sabendo de mim, do que gosto, do que não gosto, de quem sou, de quem não sou. Vou me descobrindo e querendo seguir adiante, sempre. Ou não, como diria Caetano.

Nosso desenvolvimento emocional passa necessariamente pelo que trago de minha família hereditariamente. Cor dos olhos, tipo de cabelo, algum traço de personalidade, de jeito, de trejeitos.

Além do que trago, vou também sendo moldada pelo meio em que vivo. A importância do outro nessa construção de meu eu é grande. É junto com os outros que avalio quem sou. Que aprendo a ser gente, a conviver com pessoas. Primeiro em casa, depois na escola. Aí vem os outros laços sociais, a profissão etc.

Além disso tem o que eu escolho ser. O que decido ser. Posso receber mil conselhos, porém o veredito final será dado a partir do que digo sim ou não. Quero ou não quero. Desejo ou não desejo. A propósito, vale ressaltar que a maioria de nossas decisões não são tão conscientes quanto pensamos.

Gosto de saber que sou dona de minha história, autora de minha vida. Posso decidir (cortar mesmo!). Posso romper, errar e acertar, ajustar ponteiros, agir e reagir, me calar – até – em alguns momentos.

Gosto de saber que eu mesma posso interferir em meu próprio existir, tendo consciência de meus pensamentos e orientando-os para meu próprio bem e para o bem do meio onde vivo.

Escolher ser é algo desafiador. Preciso de coragem e disposição para ser quem realmente sou, já que dentro de mim há conflitos e fora de mim, também.

Na sociedade há forças contrárias às minhas vontades e tudo isso parece um grande caldeirão cheio de sabores, alegrias, venturas bem como tristezas, frustações, decepções e estresse.

Para sobreviver a tudo isso e ainda tomar decisões, continuar com ânimo, ter vontade de viver; é necessário ter coragem. Preciso também dos suportes dados lá na primeira infância, a partir do colinho seguro e necessário da mamãe. Ou da figura materna que vier a cuidar de mim.

Caso esses elementos não tenham sido suficientemente bons, ainda há chance: firmar pilares existenciais, contabilizando e considerando o que for possível ou ainda criando novas estruturas, a partir do que restou.

Se não consigo sozinho, buscar ajuda profissional me ajudará sensivelmente a ser quem sou, assumindo de forma madura e consciente minhas virtudes e defeitos, com maior qualidade de vida e boa saúde mental.