Inteligências múltiplas e emocional…

Ainda éramos adolescentes quando chegou uma equipe de não sei onde convidando os melhores alunos da escola para fazerem um teste especial. Quem fosse aprovado iria ganhar uma bolsa para estudar em uma escola de modelo alemão, totalmente rica e especial, cheia de piscinas, quadras poliesportivas, salas de aulas climatizadas, biblioteca com vasto acervo e tudo de última geração.

Acredite! Essa escola existiu mesmo e meu irmão foi agraciado por ela recebendo educação ginasial (hoje fundamental e de nível médio) de primeira qualidade. Claro que esse meu irmão pagou o imenso preço emocional de ter de estudar longe de casa, enfrentar estudos aprofundados, atender às prerrogativas e exigências dos professores e ser, enfim, um fiel estudante. Pagou o preço (alto) e teve êxito chegando a galgar níveis muito interessantes do conhecimento e de realização profissional. Um verdadeiro mestre da escola e da vida.

Mas eu sempre me perguntei: ora, eu não fui bem nas provas de raciocínio lógico e não fui selecionada para aquele precioso prêmio. Então eu não sou inteligente.

Esse era (e ainda é em muitas escolas) o argumento que se utiliza para classificar pessoas e ao mesmo tempo menosprezá-las tanto em concursos, quanto em outras esferas da vida acadêmica.

Avaliar ganhou caráter classificatório, pontual e excludente devido às lutas pelo poder tão comuns nos espaços educativos. Há diversos estudiosos como Jussara Hoffmann, Celso Vasconcelos e outros que discutem a questão.

Mas quero pontuar uma outra esfera do assunto.

Depois do anúncio da Inteligências Múltiplas por Gardner e da Inteligência Emocional reconhecida pelo Daniel Goleman, os novos pedagogos formados no Brasil ficaram sonhando com a possibilidade de quebras de paradigmas por parte da escola no sentido de abandonar um pouco a valoração exagerada que se estabeleceu historicamente sobre o raciocínio lógico-matemático e da facilidade lingüística por parte dos ditos ‘melhores alunos’.

Hoje já se pode perceber algum indício de mudança, ao menos no âmbito de poucas escolas, mesmo assim ainda sinto a mudança vir muito lentamente… Com ocorre em todas as áreas.

Pelo menos a gente está num caminho interessante de ter de admitir que, embora o sujeito não tenha um QI alto conforme os antigos testes que se faziam nos espaços escolares e nos consultórios psicológicos, ele pode ser considerado como inteligente se for um músico, um pintor, um desenhista.
Ou pode também ter uma facilidade enorme para se localizar nos espaços, uma percepção especial para artes, como indicação de inteligência múltipla.

Ou ainda tiver facilidade de lidar com suas emoções e com as dos outros e ter muito sucesso na vida profissional e social, mesmo tendo sido um estudante de notas médias ou até baixas na escola.
Em suma: depois do Goleman e do Gardner nunca mais me senti menor que os superdotados da vida.

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