Eterna juventude

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(Texto escrito há um ano e dez meses).

Encorajada pela Professora Adriana, também colunista daqui da Cotoxó, quero falar hoje sobre o Mito da Eterna Juventude.

Falávamos ontem à noite sobre a correria por ser jovem, por ser bonito. E ela, tão alegremente, alertava alguma coisa mais ou menos assim: “não retirem minhas rugas: gastei muito tempo para tê-las.”

Adriana é uma mulher saudável, bonita. Jovem, respeita seu corpo e, logicamente, faz quem está por perto se sentir igualmente aceito, bonito, reverenciado. Obrigada, minha doce e inteligente amiga!

Ela me trouxe a imagem de uma apresentadora de televisão que, juntamente com um jovem médico ‘marombado’ vendia indiscriminadamente a ideia de que fazer uma abdominoplastia era algo completamente simples e de efeito rápido.

Nossa leitura sobre a questão nos rendeu, quase que por livre associação, uma longa e deliciosa conversa sobre as imposições da mídia, a leitura passiva da sociedade sobre essas questões, a falta de posicionamento crítico do público sobre os riscos à saúde e à vida a que temos nos submetidos em nome de ser ‘bonito’ à qualquer preço.

Falamos de auto-estima. De gostar de si mesmo. De se aceitar. Das nossas próprias vaidades. De se respeitar… além de outras milhares de coisas.

A revista Galileu lançou uma matéria interessante sobre o Mito da Eterna Juventude onde indica que técnicas rejuvenescedoras não funcionam e podem ser prejudiciais à saúde.  Ainda: “Não se iluda. A sonhada fórmula do prolongamento da vida e da juventude não está dentro de nenhuma cápsula de vitamina ou hormônio. Não pode ser alcançada por meio das modernas técnicas cirúrgicas disponíveis atualmente, ou da engenharia genética.”

Os deuses gregos  não envelheciam. Eram fortes, poderosos e belos. Provavelmente por causa de nossa cultura ocidentalizada a gente tenha verdadeiro pavor da velhice. Aqui os idosos não são tão respeitados quanto deveriam, infelizmente. Coisas como sabedoria e experiência são deixadas de lado em nome da urgente necessidade de eu parecer ser alguma coisa ou alguém que não sou.

Todo mundo correndo atrás do corpo perfeito. Perfeito a partir de uma regra ou de um padrão estabelecido pelo mundo da moda, dos dominadores do poder, da mídia.  Como fôssemos gado, uma massa modelada por um grande trator, que nos torna, a todos, iguais, sem respeitar que somos essencialmente diferentes uns dos outros e que é justamente aí que reside a beleza das pessoas.

Todo mundo loiro, magro, ‘bundudo’, ‘pernudo’, ‘ peitudo’. Cabelos esticados e pintados. A mesma roupa: calça jeans ligadinha. Saltos altos, de preferência. Rugas? Botóx! Gordurinha localizada? Lipo! Barrigão? Cirurgia plástica, por favor!

E a gente vê morrer um monte de gente que a gente ama. Morrer por que era morena e agora é loira. Por que era legal e agora a gente não consegue identificar se o sorriso é sincero e se a expressão do rosto é natural ou modelada pela toxina de vaca que foi injetada em seus lábios.

A gente não vê mais aquela que amávamos porque não resistiu ao procedimento invasivo que foi o estilete em sua pele, em sua carne e nas camadas mais profundas de nosso coração.

 

 

 

 

 

 

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