Empobrecidos no mundo.



Li, não. Deliciei-me com “
Textos Sagrados – Corpos Inundados de Sagrado” de Maria Soave. (Obrigada, Ane, pela indicação!). No meio da infinidade de ensinamentos dessa mulher tão especial e a quem conheço apenas de ouvir – ainda – quero enfatizar agora um ponto.

Soave elabora uma idéia instigante a partir do anúncio de uma nova palavra para mim: “empobrecidos”. Talvez não tão nova, mas vestida de um novo sentido.

Apenas uma palavra. Pronunciada por Soave em meio a uma riqueza de conteúdos e informações que nos convidam – de forma tão elegante! – a prosseguir o texto mesmo depois de termos virado a página. Fechado o livro… E as idéias do texto vão passeando em nosso coração com toda a poesia e realidade com o qual foi tecido.

Falar de empobrecidos, além de falar de mulheres e crianças, dá à escritora título de experiência e vigor. No texto. Além dele, falar de empobrecidos faz-nos refletir sobre quem são os empobrecidos.

Penso que questionar a exclusão no Brasil requer do pensador um esforço ainda maior, considerando-se que quando se exclui alguém de algum espaço ou direito imagina-se que num momento anterior esse indivíduo era proprietário daquele espaço ou direito e dele o fora tirado.

Sacado.

Marginalizado.

Excluído.

É claro que a partir de uma visão maior devem ser considerados os muitos casos daqueles que abandonaram a terra, a zona rural, na ilusão de que na cidade (melhor ainda – na grande cidade) as oportunidades seriam melhores. Daí Soave toca na idéia dos empobrecidos.

Para mim é também importante falar sobre o jeito com que distribuíram as terras aqui no Brasil em 1.500. Quando os portugueses vieram e se intitularam “descobridores” daqui: muita terra pra pouca gente forçando-nos a compreender desde pequenos – ainda que não teoricamente mas por sentirmos reflexos disso! – que há muitos sem ter o que ter e poucos cheios de bens e riquezas.

Soave denuncia a existência de empobrecidos supondo que antes eles eram ricos. Tornaram-se pobres. Menina! Essa sua idéia move meu coração para a necessidade de agir, de buscar mudanças neste estado de coisas, embora me sinta tão frágil. Tão pequena. Tão distante de uma possível solução.

Neste País de fortes filhos que “não fogem à luta”, porém, Soave, talvez a gente precisasse apregoar em alto e bom som que nosso povo não foi somente empobrecido. A eles sequer fora dado em qualquer momento da história de nosso País algum direito de possuir, de ter e muito mais grave que isso, o direito de ser.

Diferente do que ocorre em outros lugares desenvolvidos do mundo, como por exemplo, na França, os excluídos daqui nunca possuíram nada. Nenhum bem. Nenhum direito. Nada.
Então falar de empobrecido e excluído aqui no Brasil exige de nós um olhar ainda mais profundo. Mais grave. Menos tolerante, talvez.

Empobrecidos no mundo somos nós. Que nos calamos e nos acomodamos ao fim das contas com a esta história real vivida por nós que nos desumaniza um pouco mais todos os dias.

Soave, seu texto ainda está em mim.

Obrigada.

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