Violência no Trânsito

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Eu me lembro de Pateta, um antigo desenho animado…

Ele acordava docilmente, cantarolava, falava com os vizinhos, estava feliz e satisfeito, um modelo de ser humano, sensível e bem educado.

Até entrar em seu carro. Ali, ele mudava de nome. Virava quase um monstro. Franzia as sobrancelhas, fazia cara de zangado e saia pelo trânsito, brigando com todos. Insulta um, irrita outro, corta um veículo, desrespeita o pedestre.

Seu comportamento que, há pouco, era excelente, se transforma agora em alguma coisa desumana, violenta, agressiva. Para ele, o veículo era instrumento de força e vaidade.

No desenho animado é até engraçado ver o Pateta daquele jeito. Mas, na vida real…

Bem, na vida real a gente vai vendo as violências de cada dia.

Atravessar uma rua não é fácil se você é um pedestre, por exemplo.

Parece não haver qualquer educação no trânsito e, frequentemente, imaginamos que estamos numa selva cheia de perigos.

Motociclistas e motoristas, ciclistas e até os transeuntes realmente precisam repensar seu papel para o bom andamento do trânsito.

Como o Sr. Pateta, perdemos nossa educação. Somos tensos, irritados.

Qualquer motivo é razão de não darmos passagem ou preferência, como se estivéssemos todos competindo uns com os outros.

Daí, todo mundo quer provar que é mais forte, maior, melhor, mais rápido… Como se estivéssemos todos numa grande competição, embora ninguém nunca saia ganhando, de nenhuma forma, quando o assunto é violência no trânsito. Ou qualquer outro tipo de violência.

Outro dia todos nós vimos, tristes, a morte de dois irmãos que foram atropelados por uma médica em Salvador.

Infelizmente duas vidas foram ceifadas naquele infeliz episódio. Além das famílias de todos os envolvidos na tragédia viverem tamanha tristeza.

Fico me perguntando se qualquer um de nós não poderia estar comprometido num caso assim, visto que muitas vezes  nos transformamos no trânsito e revelamos, nele, todo o nosso medo, nosso estresse, nossa insegurança.

Lutar e fugir, esse mecanismo de defesa tão necessário chamado estresse, pode se acentuar de uma forma tão intensa a ponto de gerar uma extrema violência no trânsito, por exemplo. De gerar em nós um estado de hipervigilância que pode nos transformar em gente que não consegue gerenciar suas próprias emoções.

Nosso meio de transporte, antes instrumento de conforto que nos beneficiava e nos levava e trazia para onde quiséssemos, vira uma verdadeira arma se o nosso coração estiver estressado, com medo  e sem paz.

É certo que a condução para a paz e a segurança não depende só de uma pessoa. Depende de todos os envolvidos, de todos os que estão no trânsito, incluindo aí pessoas e ciclistas. Ou seja: depende de nós mesmos, da cada um de nós.

No caso do Pateta, a história é feita em desenho animado e é algo divertido. Na vida real, não. No dia a dia, nosso trânsito mata mais pessoas que  guerra, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Estamos hipervigilantes, estressados, ansiosos, inseguros, com medo, zangados no trânsito.

Brigas e discussões são muito comuns na rua e parece que todos, de uma vez só, nos tornamos pessoas frias e vingativas, desejando o mal dos outros, esperando vingança para aquele que nos ‘cortou’, que nos desrespeitou, que avançou o sinal.

E, sem querer, também viramos instrumento desse grande mal.

Nosso trânsito é violento e enquanto não criarmos a consciência de que podemos fazer algo diferente, dirigir sem concorrência, sem imaginar que estamos numa arena e salve-se quem puder, dirigir com a responsabilidade de que tanto nós quanto os outros também tem pressa, estão atrasados.

Se for possível, quando estivermos no trânsito, tentemos cantarolar, ouvir uma música. Tentemos nos acalmar, ceder lugar, dar a preferência ao outro, dar passagem às pessoas.

Num possível engarrafamento, aproveitemos para  fazer um alongamento.

Evitemos buzinar, respiremos. Resgatemos nossa paciência. Sejamos tolerantes.

Busquemos compreender os erros dos outros. Afinal de contas, nós também erramos.

No trânsito bondade, tolerância e solidariedade são sempre o melhor remédio. E, repetir a história do Sr. Pateta, nunca mais.

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